sábado, 30 de janeiro de 2010

Acende velas e dança.
O corpo só conhece um ritmo: o coração é quem marca o tempo. Vontade faz às vezes de compasso e a alma gira.
Quando criança fazia o balanço ganhar altura para alcançar estrelas. Por isso, hoje rodopia enquanto canta.
Acredita que as notas mais altas são capazes de balançar o coração de Deus,
e que as mais baixas fazem com que ele se incline suave só para escutar.
Quando se sente só, canta baixinho, até encontrar um sorriso num gorjeio de passarinho.
Sua alegria é feita de grãos. Quando a felicidade lhe varandeia os olhos, contagia.
A saudade sempre lhe chega num pé de vento. E ela suspira. Tem uma flor geminando na alma. Sabe adornar um vazio: esse poço antigo enlaçado de flores. Amarelas. Onde se mata a sede.
Na mão aperta, com fé, uma estrela cadente: essa possibilidade.
Risca no ar um desejo enquanto se desfaz. Poeira lunar nos pés.
Raio de sol para fisgar novo dia. E um sopro suave para mudar o ar dessa noite.
Tira o laço vermelho que lhe apertava o peito, amarra nas bordas do dia.
A barra da saia pespontada de horizontes. O pensamento branco, branco. Azul. Amarelo. Verde. Uma paz inquieta. As unhas vermelhas e os cabelos escoando o orvalho desse novo dia.
No céu, nuvens de filó.
E a terra gira azul, azul, feito borboleta.


Sorri, o mundo dança.

Nenhum comentário:

Postar um comentário